Abandone padrões ultrapassados. Limpe as gavetas. Seja a mudança que deseja ver.

Opinião
16 de maio de 2017

Por Fellipe Freitas*

Tradições existem e são importantes para construir o sentimento de coesão em uma sociedade. Unem pessoas de uma mesma religião ou visão mística de mundo. Estão restritas a uma pequena comunidade ou abrangem uma região geográfica mais ampla. Também expressam um dualismo mais marcante, como nas culturas ocidental e oriental.

Porém, dentro da ilimitada capacidade criativa humana e graças à individualidade que todos carregamos, sempre é possível abandonar os modelos que não fazem mais sentido no mundo. Esse rompimento é necessário porque deixa para trás concepções ultrapassadas e dá espaço às inovações.

E é por essa característica evolutiva, baseada na inquietação e na busca por melhores condições de vida, que hoje podemos usufruir uma infinidade de soluções que proporcionam – de forma ampla, mas ainda muito restrita – conforto, longevidade, qualidade de vida e razoável convivência pacífica.

Nem todos têm a intuição, perspicácia e coragem necessárias para quebrar com um padrão estabelecido. Quem pensa e age diferente sente o peso do isolamento, da incompreensão e das críticas. Como animais sociais, tendemos a evitar essa situação. Há vários exemplos históricos de pessoas que desafiaram o Estado, a Igreja, a Academia e a própria família ao renunciar os conceitos vigentes e apresentar caminhos que levaram a grandes conquistas.

Líderes em suas áreas, Sócrates, Buda, Galileu, Joana D’Arc, Einstein, entre tantos outros e outras, tiveram de enfrentar muitas resistências para viver de forma plena suas convicções. Foram revolucionários em suas ideias e atitudes. A maioria de nós não é nem será como esses ícones da filosofia, da religião ou da ciência. No entanto, todos temos a capacidade de pensar, interrogar, refletir e assumir uma posição que, a princípio, pode causar desconforto social, mas que traz consigo a semente da mudança.

Espiral do silêncio

No início do século 20, a filósofa e política alemã Elisabeth Noelle-Neumann formulou a teoria conhecida como Espiral do Silêncio. Essencialmente, essa teoria trata sobre o conceito de opinião pública nas sociedades midiatizadas. Ela defende que as pessoas tendem a não afirmar ou exercer suas crenças quando desconfiam que uma suposta maioria tem opinião diversa. Essa maioria muitas vezes não existe, mas faz parte de uma estrutura social interessada em manter o status quo.

É preciso não reproduzir por um instinto automático o que uma maioria imaginária faz ou diz. É fundamental não se juntar ao coro dos violentos, dos esbanjadores, dos sexistas, dos homofóbicos, dos fanáticos religiosos, dos que negam os direitos alheios. Não é porque sempre foi assim que assim sempre deverá ser. Ter fé na Humanidade é acreditar que esses grupos que impedem o caminho do verdadeiro progresso diminuirão até perderem expressão a partir do momento em que cada pessoa der ouvidos ao que de mais humano guarda no coração.

Uma frase atribuída a Gandhi convoca todos os insatisfeitos para serem eles próprios a mudança que querem no mundo. Significa agir sem esperar que alguém nos empurre a essa ou àquela direção ou aguardar ventos favoráveis. Que sejamos seres plenos de coragem, vontade e ação.

* Publicitário, produtor de conteúdo, redator nas horas vagas e nas não vagas também. Vê o cinema como a melhor janela de autoconhecimento e de compreensão do mundo. Editor do site Viviane da Mata e colaborador do blog.

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