Assédio moral no trabalho. Entre o tabu e as dúvidas.

Liderança
11 de agosto de 2017

Por Viviane da Mata

O fenômeno do assédio moral começou a ser investigado em meados da década de 1980. O pesquisador em psicologia do trabalho Heinz Leymann o identificou pela primeira vez em seus estudos. Três décadas depois, o assunto ainda causa dúvida, controvérsias e receios.

Ao longo da minha carreira profissional como gestora de RH e nos atendimentos individuais como coach executiva e de carreira, me deparo quase diariamente com as seguintes falas: “me sinto desrespeitado por meu gestor”, “tenho medo de expressar minha opinião ao meu gestor e ser ofendido publicamente”, “meu gestor adota comportamentos agressivos como gritar, bater na mesa, fazer ameaças”, “se não atender as expectativas, que não são claras para mim, tenho receio de ser demitido”. Todas essas declarações carregam em si o que pode ser caracterizado como indícios de um comportamento de assédio moral. Principalmente se ocorre de forma rotineira e sistemática.

No contrato de trabalho existe a demarcação das atitudes e atribuições de um gestor. O poder de direção é uma característica da sua relação com os colaboradores. Mas devem estar dentro do limite do respeito à dignidade e personalidade, além, é claro, do próprio limite da lei. Como a pressão psicológica não é algo materializável, como um ambiente físico insalubre, torna-se muito difícil identificar ou provar uma situação de assédio moral.

Assédio moral constitui toda e qualquer conduta abusiva, manifestando-se sobretudo por comportamentos, palavras, atos, gestos, escritos que possam trazer dano à personalidade, à dignidade ou à integridade física ou psíquica de uma pessoa, pôr em perigo seu emprego ou degradar o ambiente de trabalho.

Marie-France Hirigoyen, considerada uma das maiores especialistas no tema assédio moral.

Expor o trabalhador a situações de constrangimento, humilhação, ridicularização, menosprezo e ofensa não deve ser algo tolerado em um ambiente de trabalho (nem em qualquer outro contexto social, diga-se de passagem). É possível identificar que existe uma situação de assédio moral quando, entre outros fatores:

  • o gestor impede uma comunicação direta com o membro da equipe;
  • obriga-se o colaborador a algum tipo de isolamento ou segregação física;
  • atribui-se tarefas notadamente impossíveis de serem realizadas;
  • estabelece-se uma vigilância constrangedora à rotina;
  • há advertências vexatórias a respeito de problemas de saúde e atestados médicos.

O quadro é agravado quando tais situações são banalizadas e sequer vistas como comportamentos inadequados ou fora de um padrão de normalidade. Afinal, como um consenso – perigoso! – é preciso adotar uma gestão que gere resultados superiores. O problema começa aí, quando o discurso corporativo, para alcançar as metas e objetivos estratégicos, superam o respeito e a dignidade humana. O medo e a punição viram estratégia de gestão.

Queremos estimular reflexões que esclareçam, tragam informações jurídicas, psicológicas, sociais e morais e ajude a perceber se você ou algum colega de trabalho está vivendo uma situação dessa natureza. A solidariedade pode ajudar muito em casos assim. Orientação de um especialista também é algo que precisa ser buscado para a correta identificação do problema e a busca pela resolução adequada.

Não é um tema fácil, mas precisa ser divulgado para melhorar nossas relações humanas, sociais e profissionais. Pois esse é um problema sério que traz danos psíquicos graves, como depressão, angústia, insônia e falta de motivação. Resultados e produtividade vêm de uma forma muito mais interessante e saudável em contextos positivos e sem nenhum tipo de violência.

Photo by Ben White on Unsplash
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