Reflexão pede método. Mudar requer coragem.

Gestão, Liderança, Opinião
30 de junho de 2020

Prever cenários, criar necessidades, aproveitar lacunas e oportunidades de mercado, estar sempre um passo à frente. Estes comandos que costumam figurar em quase todos os manuais de administração e negócios sugerem a obrigatoriedade de mover-se constantemente para poder existir, crescer, ser relevante e competitivo dentro do nosso modelo econômico e social.

Mover tem múltiplos significados: desde o ato de agitar, mexer e movimentar; até figurativamente promover, estimular e suscitar.

As organizações – e os profissionais que lhes dão vida – se depararam, devido à inédita crise que o mundo vive hoje, com o inesperado e o imprevisível. E assim, nunca foi tão imperativo mudar. Nunca foi tão pra valer. Não estávamos preparados e nos vimos diante de uma realidade toda nova. Para nossos esforços de reconstrução funcionarem, precisamos mudar a forma de pensar a própria mudança. Essa mudança não pode estar baseada apenas no como.

Sem modificar a natureza das perguntas, qualquer esforço nos colocará novamente amarrados a propostas meramente instrumentais, mecânicas e operacionais. Sem uma nova visão de mundo, sem construir novos comportamentos através de novas lentes e modelos não será possível fazermos a transformação que o mundo está clamando.

Tudo aconteceu muito rápido, é tudo muito recente. Nossa visão ainda está turva e é difícil pensar no que pode acontecer no futuro próximo. Apenas uma reflexão profunda sobre o que pretendemos de fato mudar, construir e promover vai nos dar uma chance real de ultrapassarmos esse grande desafio. Pois a reflexão não é um conceito meramente abstrato, trata-se de uma ferramenta sistêmica que nos permite olhar de diversos ângulos as mudanças que já estão em movimento.

Nos momentos de mudança e da vulnerabilidade que a acompanha, as percepções tendem a ficar distorcidas, criando incoerências, dúvidas e ansiedade.

Uma coisa não mudou: a experiência humana, a dimensão cultural, os recursos produtivos, a sustentabilidade econômica e o meio ambiente continuam na fórmula de qualquer projeto ou empreendimento. Como vamos integrá-los, qual será o tom da nossa conversa e a qualidade das nossas interações? As organizações e suas lideranças têm um papel fundamental na promoção desse entendimento e na gestão dessa transição. Também cada pessoa, individualmente, disposta a mergulhar nesse processo, é um vetor de mudança para toda a sociedade.

Em um momento de passagem tão impactante é normal o aumento do estresse e da resistência ao novo. Então somente uma conexão mais profunda com nós mesmos, com os fazeres que nos dão sentido e com nossos anseios mais sinceros por dias melhores tornará o impacto menos brusco e abrirá definitivamente o espaço para agirmos em um nível mais elevado de presença.

Photo by Ashim D’Silva on Unsplash

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