Ser líder é lidar com incertezas, contradições e emoções.

Liderança
9 de julho de 2019

Diariamente o líder passa por um turbilhão de expectativas, próprias, dos superiores e da equipe. Como equilibrar tudo isso sem perder o rumo e evitando a centralização de poder?

Tudo junto, tudo misturado. E ao mesmo tempo. O dia a dia de um líder é feito de desafios profissionais múltiplos e constantes. Decisões rápidas, cumprimento de prazos, busca de resultados e bem-estar da equipe. Como ter uma visão ampla e de longo alcance sem engessar os processos ou centralizar demais?

A liderança é diferente dependendo do contexto em que é exercida. Pessoas que se destacam e mobilizam outras pessoas são muitas vezes vistas como líderes. Elas têm aquele je ne sais quois geralmente identificado como carisma. Mas outras características são ainda mais importantes para o exercício da liderança: uma estrutura emocional resiliente.

Principalmente o novo líder, aquele que acabou de chegar ao cargo de gestão, promovido ou vindo de outra experiência profissional, pisa em terreno pouco conhecido. A área que assumiu pode ser de seu total domínio técnico, mas outros elementos, digamos, mais subjetivos, têm um peso grande que vai influenciar decisivamente sua atuação.

A cultura da empresa

Não é exatamente um aspecto subjetivo, mas trata-se de práticas específicas que as empresas decidem, por motivos diversos, adotar para si. Tem a ver com valores, visão, missão, objetivos e razão de existir. São características que influenciam desde a forma de se dirigir a superiores hierárquicos e a vestimenta e até flexibilidade de horários e o perfil dos profissionais que compõem a equipe.

A cultura corporativa também é expressa na forma do produto ou serviço oferecido: a cultura do excelente atendimento, a cultura da inovação ou a cultura da sustentabilidade ambiental. Essas definições podem ser estratégicas e mudar ao longo do tempo. Podem estar escritas ou apenas percebidas na atmosfera. Há casos também de serem apenas pro forma e desconectadas da prática. De todo modo, o líder precisa ter inteligência emocional e sensibilidade para absorver esses códigos e suas nuances.

A heterogeneidade da equipe

Geralmente o exercício da liderança se dá em duas frentes. Uma é a gestão das atividades, metas, dos projetos etc. A outra tem a ver com a gestão dos talentos, das pessoas que precisam ser direcionadas a produzirem certos resultados. Antes de serem a força de trabalho com habilidades técnicas únicas e indispensáveis, os profissionais são – todos somos – seres complexos e emocionais.

Temos nossas expectativas, nos frustramos se algo não sai como esperado, nos dedicamos mais ou menos a um propósito, gostamos de se ser reconhecidos e valorizados, nos motivamos ou desmotivamos perante algo, entre outros mil traços de personalidade. E o desafio de liderar pessoas é ainda maior devido à tendência das empresas modernas para procurar diversidade a fim de compor uma equipe rica em percepções, vivências e soluções.

Suas próprias expectativas

E claro, o líder não é um ser 100% pragmático e insensível às oscilações próprias da condição humana. Por isso é que ele precisa lidar também com suas próprias questões a respeito do trabalho que conduz. Muitas perguntas podem surgir nesse processo.

  • Será que devo aceitar o cargo?
  • E se me arrepender, será que posso voltar atrás?
  • Pega mal eu recusar uma promoção a líder?
  • E se eu não for aceito e legitimado pelo pessoal?
  • Preciso a partir de agora adotar outra postura mais fria e firme?
  • E se a cobrança da empresa for de encontro aos meus ideias profissionais?
  • Até que ponto posso imprimir um estilo próprio à minha forma de trabalho?

Todas essas dúvidas são parte da compreensão do novo papel e podem motivar o profissional a ser um líder mais autêntico e consciente.

Existem vários caminhos de construção para um líder alcançar objetivos e sucesso em seus propósitos. Ao lidar com um ambiente novo e desafios além do que está habituado é perfeitamente normal surgir alguma ansiedade ou insegurança. Por isso buscar o apoio e a visão de profissionais mais experientes ajuda muito.

Não existem fórmulas ou receitas fechadas, mas o fato é que liderar com arrogância ou com a ideia superioridade perante os outros não significa segurança e autoconfiança. Aliás, expõe exatamente o contrário.

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