O que accountability tem a ver com autonomia e protagonismo profissional

Coaching, Liderança
17 de outubro de 2019

Já faz tempo que o modelo fordista de produção foi abandonado como principal forma de organizar uma empresa. A imagem clássica do trabalhador na linha de montagem, preocupado e quase hipnotizado apenas com sua microfunção ficou para trás. Porém, formas sutis desse comportamento ainda persistem.

Não é incomum ver ainda hoje profissionais que estão fechados em suas tarefas imediatas, alienados e incapazes de se verem sob uma perspectiva mais ampla. Nesses casos, expressões como “eu fiz minha parte”, “não me mostraram como fazer direito”, “isso não é culpa minha”, “isso é responsabilidade da outra área” ainda são usadas para justificar um erro ou explicar um problema.

É importante que os cargos tenham foco, finalidade e busquem certas especializações. Mas isso não deve significar um muro de isolamento. Afinal, profissionais que entendem o propósito final de uma empresa ou de um projeto específico, mesmo tendo uma responsabilidade limitada sobre os resultados, tendem a ser mais engajados.

É muito mais satisfatório e recompensador trabalhar sabendo os porquês, estando consciente do seu papel e vendo-se mais do que uma engrenagem ou parafuso no processo.

Cada profissional ou área são coadjuvantes que devem interagir e colaborar entre si para fazer uma empresa funcionar. No entanto, compreender-se e atuar como protagonista nesse processo eleva a autoestima e a motivação. 

Para um comportamento integrado e participativo ser possível é necessário mais que uma atitude isolada do profissional. A empresa, por meio das suas lideranças, precisa estar aberta. Promover a inclusão e o envolvimento de todos, além de permitir que o colaborador tenha atividades mais fluidas e estruturas flexíveis é um bom começo.

Essa forma de funcionar precisa fazer parte da cultura organizacional para correr bem, sem ruídos ou interferências. A transparência e clareza na comunicação são dois pontos-chave para o sucesso desse modelo mais amplo de atuação corporativa.

Autonomia é atitude

Algumas organizações são mais fechadas que outras em relação ao estilo, atitude ou personalidade do profissional que prefere contratar. Várias delas precisam mesmo ter processos mais centralizadores, ortodoxos e restritos. Porém, o que vemos hoje, com tantas mudanças no modelo de produção, consumo e relacionamento, são empresas em busca de criatividade, soluções inovadoras e formas diferentes de conquistar espaço e relevância.

Um comportamento básico da era da informação é não ficar parado esperando os gestores ou a empresa adivinharem as dificuldades e entregarem as soluções na mão do profissional. Diversificar habilidades, conhecimentos e competências é uma atitude que depende em grande parte de si mesmo.

Com o acesso praticamente irrestrito aos mais diversos conteúdos, sob a forma de cursos on-line, tutoriais e artigos, o profissional tem condições para ir atrás de orientações e instruções básicas para resolver alguma questão mais simples do dia a dia, por exemplo.

Accountability na prática individual

Prestar contas, assumir responsabilidades, agir com ética e transparência: são as atitudes que o termo accountability sintetiza. O conceito costumava ser usado apenas em contextos administrativos, financeiros ou no serviço público. Estes são espaços em que fica mais evidente a necessidade de práticas orientadas para uma excelente governança que evite, sobretudo, desvios de conduta.

Mais recentemente, o uso da palavra accountability foi ampliado e passou a ser adotado para designar um conjunto de características fundamentais para qualquer cargo e em todas as atividades de uma empresa. Agir da forma como propõe tal ideia não é somente desejável, mas estratégico e necessário para os resultados de uma organização contemporânea.

A liderança consciente e o desejo de autorrealização

Os líderes precisam pavimentar o caminho para esse comportamento surgir, crescer e se consolidar. Isso significa orientar, abrir espaço para a participação e compreender os membros da equipe como seres humanos em busca de sentido e autorrealização. Assim é construído um espaço saudável de trabalho que abre as portas para o novo.

Nenhuma automação será capaz de substituir o caráter humano, com a perspicácia e originalidade que trazemos em nosso DNA, forjado em milhões de anos de evolução. Exercendo a nossa autonomia e desenvolvendo nossas potencialidades, um horizonte de possibilidades infinitas surge para nos motivar a continuar essa história.

Busque, tente, arrisque. É recompensador colocar um pouco mais de nós, da nossa subjetividade e do nosso coração no nosso fazer diário. Sair do piloto automático, desenvolver-se, autoconhecer-se e conscientizar-se é liderar a si mesmo.

Compartilhe!

Contato

Fique à vontade para perguntar, tirar dúvidas e pedir detalhes dos nossos serviços. Será um prazer desenvolver soluções de resultado para sua empresa ou carreira profissional.